O Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste - ETENE publica novas análises setoriais

INDÚSTRIA EXTRATIVA DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL

Cenário para o setor de extração de petróleo e gás natural é de retomada dos investimentos

Ao longo dos últimos dez anos o setor de petróleo e gás natural, em nível mundial, vem apresentando certa volatilidade, em função, principalmente, dos preços do petróleo. Nesse período (2008-2017) houve dois períodos de forte queda do preço do petróleo, após ter apresentado picos históricos de preço em 2008. Esses períodos foram durante a crise financeira mundial, que causou forte retração dos preços entre setembro/2008 e março/2009; e entre outubro/2014 e março/2016, em que a queda de preços se deu em função do aumento da produção acordada entre os membros da OPEP, com o principal objetivo de inibir iniciativas de países como os Estados Unidos (shale gas) e o Brasil (pré-sal) de aumento da produção por meio de processos de exploração não convencionais. No caso do Brasil, além da crise observada no setor em nível mundial, ao longo de 2015 e 2016, a situação da Petrobrás, envolvida em escândalos de corrupção, também contribuiu de modo relevante para que o setor de petróleo e gás entrasse em crise. Essas questões contribuíram para que a Petrobrás tenha apresentado dificuldade de manutenção dos investimentos para aumento da produção e, também, a um direcionamento da empresa para a venda de ativos que não estão diretamente ligados às atividades de exploração e produção, de modo que possa ter uma atuação mais direcionada a essas etapas da cadeia. A empresa tem se dedicado mais à exploração em águas profundas e no pré-sal, com menor interesse na exploração dos poços terrestre (on shore), o que contribuiu para que, nos últimos anos, os estados do Nordeste tenham diminuído sua representatividade no total de empregos do setor.

Em termos de perspectivas para o setor, o recente comportamento de aumento dos preços do petróleo observado a partir de 2016, devido o rebalanceamento entre oferta e demanda, parcialmente acelerado pela decisão da OPEP de diminuir a produção, deve se manter, o que favorecerá a expansão dos investimentos em exploração e produção. Além disso, as empresas do setor de petróleo e gás deverão estar preparadas para, nos próximos anos, perseguirem novas tecnologias de perfuração e extração, bem como para aumentar o investimento em pesquisa voltada às energias limpas e à sustentabilidade. No Brasil, assim como ocorre em nível mundial, a tendência é que, com a melhoria do quadro relativo aos preços do petróleo, haja retomada dos investimentos no setor. As mudanças na regulação do setor efetuadas em 2016 e 2017 também contribuirão para essa retomada. No Nordeste, também há uma expectativa de retomada dos investimentos, já que nas duas últimas rodadas de licitação foram ofertadas áreas localizadas na região (13ª rodada de concessões, em outubro/2015 e 14ª rodada de concessões, em setembro/2017), tendo sido arrematadas áreas nas bacias de Alagoas, Barreirinhas, Parnaíba, Potiguar, Recôncavo e Sergipe, com destaque para os investimentos mínimos previstos nas bacias Parnaíba (R$ 173,8 milhões), Recôncavo (R$ 51,4 milhões) e Sergipe (R$ 87,5 milhões). Na 15ª rodada de concessões, prevista para ser realizada em março/2018, serão ofertadas áreas nas bacias marítimas do Ceará, Potiguar e Sergipe-Alagoas, bem como na bacia terrestre Parnaíba. A propósito, essa última tem se destacado nos investimentos para exploração de gás natural e, considerando-se o potencial de exploração do gás natural e também do gás natural liquefeito como combustíveis é importante que sejam monitoradas com maior atenção as necessidades de investimento e financiamento das empresas que estão investindo na exploração e produção nessa bacia...

 

SHOPPING CENTERS

Cautela na implantação de novos empreendimentos

Shopping Centers são empreendimentos que objetivam o comércio varejista, oferecendo um formato diferenciado, como maior conforto e segurança. Agregando ao conceito tradicional, esses centros comerciais passaram a ofertar diversas opções de serviços, como diferencial. A ideia é que o frequentador vá ao shopping não apenas para adquirir bens de consumo, mas para viver experiências que o tornem um cliente fiel. Essa evolução do setor tem contribuído para que apresente crescimento, mesmo em períodos de crise. O faturamento dos shoppings vem crescendo por mais de uma década, chegando a 167 bilhões de reais no ano de 2017. Nesse mesmo período foram gerados 1.029.367 empregos diretos. A inauguração de Shopping Centers em cidades do interior já é uma realidade. Em 2017, 75% dos novos empreendimentos localizam-se fora das capitais. Outra forte tendência é a utilização de Omnichannel, que é a integração de lojas físicas, virtuais e compradores. Recomenda-se cautela na implantação de novos empreendimentos, visto que a uma grande quantidade de shopping já implantados está em consolidação e o setor é dependente de variáveis econômicas como nível de renda, emprego, juros, condições e prazos de financiamento...

 

SETOR SUCROALCOOLEIRO

Setor produtivo de açúcar e etanol brasileiro e nordestino se recupera lentamente

Para a safra em curso (2017/18), as projeções são de crescimento da produção de açúcar em importantes países produtores, como Índia, Tailândia, União Europeia e Brasil. Assim, não se espera valorização expressiva do preço do açúcar no mercado internacional.

No Brasil, a produção de açúcar deverá sair de 38,7 milhões, para 39,5 milhões de toneladas. Para o etanol, a produção brasileira deverá ser um pouco inferior à safra anterior (-2,7%) e deverá totalizar 27 bilhões de litros.

No Nordeste, as melhores condições climáticas permitiram um pequeno crescimento na produtividade da cana-de-açúcar, o que deverá resultar em aumento na produção nordestina de cana. No entanto, não é esperado aumento da produção de açúcar, pois a tendência de alta dos preços da gasolina deve estimular a produção de etanol em detrimento ao açúcar.  A produção de etanol no Nordeste deverá passar de 1,39 bilhão de litros para 1,46 bilhão. A produção de açúcar da Região na safra 2017/18 deverá ser de 2,97 milhões de toneladas.



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